Hoje, quero enfatizar algo que parece todos já sabem:

Na raiz da maior parte dos problemas brasileiros está a incompetência dos gestores em todas as esferas do poder público.

Raramente ficamos sabendo que um presidente, governador ou prefeito, ou qualquer “gestor” da coisa pública, têm formação adequada em administração pública. São, quase sempre, médicos, engenheiros, professores… Às vezes, motoristas, fazendeiros, pedreiros, militares, etc., sem formação sólida e experiência específica em gestão pública. Poucos são verdadeiramente competentes e políticos preocupados com o presente e o futuro. Poucos planejam e organizam  para fazer acontecer.

A grande maioria atua de forma meramente reativa, focando o curto prazo dos cargos eletivos, segundo conveniências momentâneas e interesses individuais. Alguns, até empresários de sucesso na empresa privada, entram na administração pública e se dão mal. Enquanto donos, podem fazer tudo que quiserem, sem contrariar o que é determinado em lei, enquanto gestores públicos só podem fazer o que a lei determina, tal como se fossem síndicos de condomínios.

Curioso é perceber que, quase ninguém do povo teria coragem de entregar uma parte sequer do seu patrimônio pessoal para ser gerido por qualquer um destes “gestores” públicos que estão por aí.

Politiqueiros, que passam longe da ideia de estadistas, recebem, entretanto, por meio de voto, procurações para gerirem o patrimônio de municípios, de estados e de toda a nação, que são bens do povo que os elegeram. Até corruptos e criminosos impunes, devido à legislação e ao sistema judiciário, (ditado popular: “para os amigos tudo, para os inimigos o rigor da lei”), continuam recebendo procurações do sofrido, fervoroso, ignorante e crédulo povo brasileiro, por ocasião das eleições. Enfim, com raríssimas exceções, se propõe a valorizar a meritocracia, importante temática a ser abordada oportunamente.

Outra questão a se evidenciar é a descontinuidade gerencial da questionável gestão pública do Brasil. Excessivo número de partidos politiqueiros atirando para todos os lados e brigando por privilégios. Nos EUA existem só 2 partidos, que conseguem consensar ideias e colocá-las em prática para o bem do país. Aqui, até hoje, das reformas necessárias e prometidas em campanha, somente merece destaque a da previdência, que mais prejudicou do que beneficiou a população, tendo como consequência, o enfraquecimento do mercado consumidor interno, devido à retirada do poder de compra do segmento populacional, que mais tende a crescer no Brasil, a dos idosos.

As reformas administrativa e tributária merecerão, também, abordagem especial, caso avancem na tramitação, sejam aprovadas pelo poder legislativo e sancionadas pelo Presidente da República. 

No caso da reforma administrativa, lamentavelmente, os privilégios continuarão para os atuais servidores das três esferas de poder, inclusive para os cargos eletivos, pois a mudança proposta será somente para os que ingressarem futuramente na administração pública. Já a reforma tributária, o que se propõe, basicamente, é uma simplificação dos impostos atuais. Ou seja, ambas as reformas não representam aquilo que realmente o país necessita para garantir um crescimento sustentável. Entretanto, uma pífia reforma política enfatizou, basicamente, o sempre questionável fundo partidário. Nem mesmo se falou na estrutura de organização do sistema político, este que é um ótimo tema para futura matéria, dada a sua relevância para o crescimento e fortalecimento da democracia.

Belo Horizonte, 15 de Junho de 2021.

Escrito por um Administrador de sucesso na vida profissional, atualmente aposentado.

Published On: 17/06/2021Categories: Editorial

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One Comment

  1. Young Lee 18/06/2021 at 17:08 - Reply

    Ótimo artigo!
    Gostaria de adicionar que os ministros do STF também deveriam ser escolhidos por eleições entre seus pares e não indicados pelo chefe do executivo.
    O investimento na educação é fator primordial e não está ocorrendo no país. A educação molda a ética social e permite escolhas melhores.

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