Todo funcionário público deveria ter como duas de muitas outras qualidades e qualificações, ser imbuído de responsabilidade social e espírito público. O objetivo de servir à população com a máxima atenção e eficiência possíveis, seria um pré-requisito básico para a ocupação de qualquer cargo público. Em alguns países isto acontece, atribuindo “status” e honrarias aos seus servidores públicos. Aqui no Brasil, no passado também já teria sido assim.

Na administração pública, em tempo não tão distante, os ambientes político e econômico e os princípios e valores predominantes eram muito diferentes dos atuais. Tive oportunidade de conhecer alguns professores de administração pública que deixaram boas sementes, que germinaram em muitos de seus discípulos. Citarei aqui alguns de um passado mais distante: Domingos de Carvalho Mendanha, Paulo Neves de Carvalho, Osmar Brina, Adauto Rebouças, Paulo Hadad e Hindemburgo Pereira Diniz, todos eles exemplos de competência e honradez na administração pública.

Outros de um passado menos distante como mestres da Fundação João Pinheiro: José Maria Dias, Georgina, Mauro Calixto Tavares, Josadace, Paulo Vasconcelos, todos eles brilhantes exemplos de profissionais públicos.

Hoje, o que percebemos em destaque na esfera pública, principalmente no alto escalão, são notícias desabonadoras, totalmente contrárias às expectativas de todo cidadão de bem, pagador de impostos e cumpridor de suas obrigações.

O que era fruto de sonhos e idealismo, no tocante à busca de bem-estar para o povo, atualmente se vê só nos discursos de politiqueiros em véspera de eleição. Hoje, grande parte dos agentes públicos busca se servir dos cargos que ocupam, ao invés de servir à população que lhes paga altíssimos salários.

Em síntese, em Brasília, no maior reduto do funcionalismo público do país, o que tem sido produzido além de escândalos e corrupção? Quanto custa para o país a manutenção de tanta estrutura improdutiva, perniciosa e dificultadora para se obter um melhor futuro para o Brasil? Seja em minúsculos municípios, ou em estados pouco significantes, ou na esfera federal, podem ser identificados cabides de empregos, com até funcionários fantasmas.

O ilegal nepotismo continua acontecendo por meio de ardilosos cruzamentos de favores entre as autoridades dos três poderes da República, atitude condenável e profundamente lamentável. Quantos “cargos de confiança” resultam em pagamentos de elevadas e injustificadas remunerações? Quantos “chefes” são realmente qualificados para exercerem seus cargos? Quantas “rachadinhas” ocorrem de forma sub-reptícia? E a famosa e imoral “IMUNIDADE PARLAMENTAR”, o “FORO PRIVILEGIADO”, que ninguém consegue eliminar Muitos políticos continuam praticando atos ilegais, por saberem que dificilmente serão punidos.

Belo Horizonte, 23 de Julho de 2021.

Colaboração de um administrador aposentado de sucesso que prefere ficar no anonimato.

Published On: 23/07/2021Categories: EditorialTags: ,

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One Comment

  1. Silvana Moraes 30/07/2021 at 15:14 - Reply

    Concordo com o texto com tristeza, já que reflete em sua totalidade a realidade do nosso país, tomado por pessoas egoístas e que visam somente seu bem e dos amigos e familiares escolhidos para participarem desta fase corrupta. Ainda assim, acredito na mudança e procuro influenciar outros pelo exemplo (nem sempre consigo ser exemplo ou influenciar, claro). O caminho é este.

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